Com enorme pesar, comunicamos o falecimento do Professor Emérito JOSÉ MARINHO DE OLIVEIRA, do Departamento de Cinema & Vídeo, do IACS – Instituto de Arte e Comunicação Social, onde ingressou em 1971 para participar da implantação do Curso de Cinema, fundado por Nelson Pereira dos Santos. José Marinho coordenou o Curso de Cinema, foi Chefe do Departamento de Cinema & Vídeo e Vice-Diretor do IACS, tendo se aposentado da UFF aos 70 anos, em 2000.
Bacharel em Teatro pela Universidade Federal de Pernambuco, obteve o título de Mestre em Artes-Cinema e Teatro pela Escola de Comunicação da USP e foi um dos fundadores do FORCINE – Fórum Brasileiro do Ensino de Cinema e Audiovisual.
É autor de Dos Homens e das Pedras – O Ciclo do Documentário Paraibano, baseado em sua dissertação de Mestrado e Um Discreto Olhar – Seis Cineastas Baianos (1950-1980), ambos publicados pela EDUFF. Em José Marinho: Luzes da Ribalta, Luzes do Sertão, publicado na Coleção Aplauso, editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, José Carlos Monteiro, Tunico Amâncio e Juliana Corrêa registraram e organizaram as memórias de José Marinho sobre sua trajetória, desde o interior de Pernambuco, onde nasceu em 1933.
José Marinho manteve vida ativa de ator de teatro, cinema e televisão, como em “Amuleto de Ogum”, de Nelson Pereira dos Santos, “Terra em Transe“, de Glauber Rocha e “O Bandido da Luz Vermelha” (1968) de Rogério Sganzerla, nas peças “Se Correr o Bicho Pega, se Ficar o Bicho Come” direção de Gianni Ratto da peça de Oduvaldo Vianna Filho, “Senhor Puntilla e seu Criado Matti”, peça de Bertold Brecht e direção de Flávio Rangel e “Dom Quixote de la Mancha“, em adaptação de Luiz Augusto Marones , e nas telenovelas “Roque Santeiro“, “Cambalacho” e “O Rei do Gado” (1997).
Foi ator sempre requisitado pelos alunos de Cinema para suas produções, como “Polêmica”, de André Sampaio, “As Meninas”, de Paula Alves, “Arábia”, de Tiago Morena (obtendo o Prêmio de Melhor Ator no Festival de Brasília), “Bichos Urbanos”, de Karen Barros, “Onde a Noite Acaba”, de Poliana Paiva, ”Custo Zero”, de Leonardo Pirovano, “Aqueles Dias”, de Gustavo Nasr, “O Último Dia do Amigo da Onça”, de Terêncio Tenório, “Cavação”, de Estêvão Garcia, “Guerrilheiros de Quintal”, de João Massarolo, e Fellis’ Day, de Helil Neves.
Dentre suas realizações audiovisuais na UFF, destacam-se, ainda, Tabacaria, o Espaço Poético de Fernando Pessoa, vídeo, inspirado em Fernando Pessoa, O Juiz de Paz na Roça, vídeo, adaptação da peça de Martins Penna, com alunos da Oficina de Interpretação-UFF, Universidade Fluminense, cor, 35 mm, produtor executivo, Folclore na Planície de Goitacá, cor, 35 mm, coordenador geral e supervisor de direção, Teatro Brasileiro I: Origens e Mudanças, cor, 35 mm, MEC-INC (autor da pesquisa e corroterista), Teatro Brasileiro II: Novas Tendências, cor, 35 mm, MEC-INC (autor da pesquisa e corroterista), Capoeira, cor, 16 mm, UNESCO, Diretor de Produção, assistente de direção e realizador da pesquisa, Primórdios da Arquitetura Brasileira, cor, 35 mm, MEC, diretor de produção, Restauração das Grandes Batalhas, UFF-MNBA, diretor de produção.
JOSÉ MARINHO DE OLIVEIRA exerceu papel decisivo na consolidação e projeção do Curso de Cinema da UFF e na administração democrática e participativa do Instituto de Arte & Comunicação Social, gozando de enorme respeitabilidade entre colegas, funcionários, alunos e junto aos reitores e à administração superior da universidade, sendo fonte permanente da memória do Curso de Cinema e sobretudo de entusiasmo e orientação para sua construção.
Podemos dizer que José Marinho foi agraciado com o gosto intenso pela vida, apreço incondicional pela amizade e senso profundo do significado cultural e libertário de sua inserção na universidade e nas artes. À sua esposa, aos filhos, noras, netos e à família o reconhecimento e agradecimento de gerações de alunos e colegas desta Escola pela honra e o prazer de conviverem com JOSÉ MARINHO DE OLIVEIRA.