Carta de despedida a Antonio Moreno

8 de junho de 2021 | Notícias

Antonio Moreno, o professor que revela o pesquisador

Por João Batista de Abreu, professor titular aposentado da UFF

O cinema de animação perdeu um de seus criadores da geração dos anos 70. A morte prematura de Antonio Moreno, professor do curso de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense, apaga o fotograma de um sujeito inspirado e dedicado à produção audiovisual, mas não impede que ele continue projetando-se entre seus colegas e ex-alunos.

Formado em Comunicação Social pela própria UFF em 1977, Moreno voltou ao IACS como professor em 1983. Fez mestrado na Unicamp e doutorado na USP. A dissertação “A personagem homossexual no cinema brasileiro” – publicada em livro – é vista por pesquisadores da área como exemplo de metodologia para apresentar uma questão sempre presente na sociedade brasileira e tão sujeita a preconceitos.

A tese “Cinema, ideologia e infância”, defendida na USP em 2001, analisa os filmes espanhóis produzidos para crianças e com crianças em três décadas de franquismo (1950, 60 e 70). O tema preconceito de gênero é uma constante na obra deste professor e pesquisador. Nada mais oportuno numa época em que o País luta para vencer o obscurantismo de autoridades que se inspiram na ideologia franquista.

Conheci Moreno no IACS, nós dois como alunos, ele de Cinema, eu de Jornalismo. Na época Moreno já era visto como um artista/produtor talentoso no mundo analógico audiovisual. A previsão confirmou-se. Nos tempos da ditadura, Niterói e o IACS eram menores, o que ajudava a aproximar as pessoas.

Às vezes me pego pensando que o magistério traz embutido um privilégio. O de se eternizar no conhecimento, não apenas transferido, mas produzido com os alunos. São eles que se vão refletir no trabalho de Antonio Moreno e assim contribuir para que se mantenha vivo.