O Instituto de Arte e Comunicação Social lamenta o falecimento do filósofo, teatrólogo e professor Carlos Henrique Escobar, 89 anos, um dos fundadores do curso de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense.
Escobar lecionou no IACS em duas fases, a primeira de 1969 a 1975 e a segunda durante a década de 1980, após a anistia, até se transferir para a Escola de Comunicação da UFRJ. Suas aulas de Fundamentos Científicos da Comunicação, sempre com turmas lotadas e atentas, representava um momento de reflexão em meio a um ambiente de autoritarismo e perseguições. Em dezembro de 1975, foi escolhido paraninfo da turma, mas a ditadura civil-militar impediu a cessão de auditórios para a cerimônia de formatura em Niterói.
Por não possuir diploma de curso superior, Escobar teve reconhecido seu mérito como mestre e pesquisador ao receber do Conselho Universitário da UFF o título de professor com notório saber, por iniciativa do então chefe de departamento de Comunicação, professor Antonio Serra. Autor de sete livros de Filosofia, Política e Epistemologia e organizador de outros dois, Escobar escreveu o prefácio do livro “Inventário de Cicatrizes”, lançado pelo poeta e ex-preso político Alex Polari.
Um dos principais difusores no Brasil do pensamento do teórico marxista Althusser, Escobar era o que o Pierre Bourdier classifica como um dos navegantes contra a corrente, de acordo com professor Luiz Eduardo Motta (UFRJ).
“– Há sempre uma divisão entre os dominantes do saber “legítimo” e aqueles que se encontram numa posição dominada, pois navegam contra a corrente dominante. O nome de Carlos Henrique Escobar, sem dúvida, sempre pertenceu ao segundo grupo.” – observa Motta.